Gilles Deleuze e o problema da interpretação: um sopro de puro acontecimento

Eladio C. P. Craia

Resumo

O presente trabalho tem como objetivo expor e analisar a relação entre a problemática do Sentido e o horizonte da interpretação, segundo a leitura de Gilles Deleuze. Na perspectiva deleuziana, a interpretação foi, maioritariamente, limitada e restringida pela procura da determinação de certas margens, mais ou menos preestabelecidas e verificáveis, onde a própria interpretação encontre seu lugar pertinente, bem como sua legítima consistência. Deste modo, e independentemente das diferentes formas de caracterização e classificação, as quais a interpretação foi submetida, a procura por um “critério” de avaliação e legitimação do ato de interpretar é, para Deleuze, um gesto habitual e mais ou menos permanente na reflexão filosófica. Para o filósofo francês, este gesto opera, em um primeiro momento, entorno da possibilidade de reconhecer um certo “sentido” na interpretação; e, em um segundo momento, da necessidade de legitimar este sentido de acordo com critérios previamente escolhidos. Diferentemente, Deleuze postula a interpretação como criação da diferença, o principio que sustenta esta colocação é uma total recaracterização do estatuto do sentido. Isto é assim, dado que em toda interpretação habita o sentido, portanto, não se trata de eliminar o sentido do horizonte da interpretação, mas de repensá-lo.

Palavras-chave

Deleuze; Interpretação; Acontecimento; Diferença

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