Idosos de Montes Claros (MG) e HIV/aids: conhecimentos e percepções

Marília Borborema Cerqueira, Alexandre Ramos Lazzarotto, Maria Ivanilde Santos Pereira, Maria Elizete Gonçalves, Anna Cecília Borborema Abreu, Victoria Pinho Godinho, Fernanda Alvim Lopes

Resumo

Resumo: Objetivo: verificar os conhecimentos e percepções de idosos de Montes Claros (MG) sobre HIV/aids, abordando participantes idosos de grupos da terceira idade, na referida cidade. Metodologia: estudo transversal, descritivo e desenvolvido por meio de técnica quantitativa, aplicando-se um questionário qualificado – o QHIV3I. Resultados: 87,4% eram mulheres e 22,6%, homens; 60,5% do total tinham até 69 anos; 62,9% eram analfabetos; 90,3% percebiam até 3 salários mínimos. A maioria (81,2%) era católica e 50,3% tinham companheiro(a). Ressaltam-se que 64,1% do total de idosos afirmaram que a pessoa que vive com o HIV sempre apresenta sintomas; alguns afirmaram que o HIV pode ser transmitido por picada de mosquito e acreditavam que o HIV pode ser transmitido por sabonetes, toalhas, assentos sanitários, abraço, beijo no rosto e beber no mesmo copo. Apesar de acreditarem que o uso de preservativo nas relações sexuais impede a transmissão do HIV, somente 17,2% o usavam. Ter companheiro(a) apresentou relação estatística com usar preservativo (P-value 0,019), podendo indicar que ter companheiro(a) é justificativa para o não uso, além de reforçar a ideia do casamento e união que envolvem o modelo de fidelidade regido pela confiança recíproca. Conclusão: há muito a ser feito no contexto da epidemia de HIV/aids entre idosos, fazendo-se necessárias e urgentes políticas públicas de educação, elucidação, conscientização e promoção da saúde sexual deste grupo populacional, assegurando-lhes o direito à saúde e à vida sexual ativa e plena.

Palavras-chave

Idoso; HIV; Síndrome de Imunodeficiência Adquirida; Conhecimento.

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