Política de cotas no ensino superior: Percepções de professores e estudantes

Simone Monteiro Ribeiro, Maria Tereza Carvalho Almeida, Fernanda Alves Maia, Filipe Alves Souza, Déryk Patrick Oliveira Amaral, Maria Rachel Alves

Resumo

A política de cotas, inserida na perspectiva das ações afirmativas, privilegia os indivíduos que estão em situação de desvantagem, buscando-se o equilíbrio. Apesar da transversalidade das ações afirmativas, nenhum tema tem ganhado tanto destaque na última década como a reserva de cotas raciais nas instituições de ensino superior. Nesse sentido, essa pesquisa objetivou conhecer a percepção de professores e estudantes sobre a adoção da Política de Cotas. O cenário utilizado foi uma universidade estadual localizada na mesorregião Norte de Minas e a população-alvo foi constituída por professores e estudantes do curso de Medicina. Utilizou-se a escala de Likert, constando de sete assertivas relacionadas ao assunto. A análise da percepção de professores e estudantes sobre a Política de Cotas na universidade permitiu identificar que ambas são distanciadas. Os estudantes não fazem discriminação entre o desempenho de estudantes cotistas e não cotistas; discordam que os cotistas tenham mais dificuldades para o acompanhamento das atividades acadêmicas, além de atribuir que as mesmas não interferem na qualidade de formação profissional. Por outro lado, a maior parte dos professores discorda de que a Política de Cotas contribua para a promoção da equidade social, além de concordar que ela atrapalha o acesso da população à Universidade. Eles consideram que os estudantes cotistas tenham mais dificuldades no desempenho das atividades acadêmicas, e que a mesma interfere na formação profissional. Destaca-se, por fim, a importância no aprofundamento de se pesquisar e se discutir o que as percepções identificadas em professores e estudantes em relação à Política de Cotas significam e as atitudes que desencadeiam.

Palavras-chave

Sistema de Cotas. Ações Afirmativas. Políticas Sociais. Equidade

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